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A relevância do jornalismo socioambiental

Os mais açodados têm alardeado que o jornalismo pode estar com os seus dias contados e que mídias seculares, como o rádio e o jornal impresso, correm o risco de simplesmente desaparecer. Os últimos informes realmente não são alvissareiros. Mas há, sim, registros firmes assegurando que as cassandras de plantão têm, felizmente, tudo para errar na previsão.

As inovações tecnológicas estão, sem dúvida, provocando uma verdadeira revolução na vida moderna e, consequentemente, na forma com que geramos e consumimos informação. Minha querida avó, Margarida d’ Oliveira – fã de todo tipo de livros, especialmente os de poesia e romance policial, tendo-se arriscado a produzir alguma de boa qualidade – jamais imaginaria, no início do Século 20, que um dia sua bisneta, minha filha, se tornaria uma qualificada jornalista de mídias digitais. A neta – no caso, esta que vos escreve – ainda pegou a transição do jornalismo analógico para digital. Comecei a trabalhar com máquinas de escrever pesadas e inesquecíveis. Meninos, é verdade, vi o nascer dos primeiros computadores, a chegada da Internet; as buscas eram feitas em bibliotecas e arquivos de jornais em papel escurecido.

Nem por isso, o meio jornal deixou de existir e muito menos a tradicional rádio. Os pessimistas de plantão se apressarão em dizer que conteúdo pode ser encontrado em gigabites nos mais diversos provedores nos mais diferenciados idiomas e dialetos. Pode ser. Mas o bom e velho Jornalismo continua o mesmo. O que apura, o que denuncia, descortina, faz serviço, informa e transforma. Mudam as formas, os meios, as tecnologias. Ficam os princípios.

D. Margarida não se acostumaria, sem dúvida, com o que ela sempre chamava de “modernidades”. Mas, uma mulher sempre à frente de seu tempo – que ficou viúva jovem e criou os três filhos homens com altivez e coragem – sempre soube reconhecer o valor do Jornallismo atual. Como nos ensinou o valor da cultura, dos livros, da mídia. Isso, ainda nos anos 60 e 70.

Teria orgulho da neta e da bisneta jornalistas, trabalhando incansavelmente para bem informar, formar, transformar. Bisavó e bisneta, infelizmente, não chegaram a se conhecer. D. Margarida faleceu quando eu ainda era adolescente, nem sei se cheguei a lhe falar do meu sonho acalantado de ser um dia jornalista. Sabia do gosto pelas letras, pela Literatura e Poesia, isso ela sempre soube.

Sem uma imprensa livre, ética e independente jamais teremos uma sociedade democrática de fato. A mídia socioambiental tem procurado fazer o seu trabalho de forma íntegra. Não tem sido fácil. Quem desejar empreender nesta área precisará perseverar. Dito isso, não quer dizer que logo eu – sempre tão otimista – vá desestimular quem assim deseje enveredar pelos caminhos desta vertente do Jornalismo. Vá em frente, estude, converse com quem entende da área, esteja nos lugares certos, prepare-se para atuar em rede.

É verdade. Poucas empresas e parceiros realmente reconhecem o valor da mídia socioambiental: formada por guerreiros que acordam cedo e dormem tarde em busca da melhor notícia, da foto mais apurada, da informação precisa. Sempre em prol do leitor, da sociedade, do compromisso com a transformação do modelo atual para a chamada economia de baixo carbono. Mas é possível sim achar grandes e verdadeiros parceiros.

Reitero – sem a mídia socioambiental, não teremos quem seja capaz de colocar o dedo na ferida quando necessário, de avançar na apuração, de traduzir o que parece inatingível para a maioria. Nas figuras de relevantes e leais colegas de trajetória, aqui representados pelos veteranos Washington Novaes, Vilmar Berna, Dal Marcondes, Lúcia Chayb e René Capriles, Paula Saldanha e Cláudio Savaget, o nosso compromisso com a causa. Não a nossa causa, mas sim a da mídia. A causa maior, por uma sociedade socioambientalmente mais justa e menos desigual. E que muitos, muitos outros, jovens aguerridos possam se juntar a nós nesta jornada. Não sucumbiremos. Somos sobreviventes e, estejam certos, viemos para perseverar.

Em memória de D. Margarida d’Oliveira, para Isabella Araripe e a todos os jovens que militam ou irão militar no jornalismo.

Sônia Araripe, jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem 30 anos de profissão, tendo atuado em diversas redações como: Jornal do Brasil; Jornal do Commercio; Agência Broadcast; O Estado de S. Paulo; O Dia; Rádio FM O Dia; TV Globo; Revista Conjuntura Econômica e Revista Forbes Brasil. Ganhou vários prêmios jornalísticos e acaba de receber o Prêmio “Os 100 mais Admirados Jornalistas Brasileiros”. Tem MBA em Comunicação Empresarial pela PUC-Minas e Pós-Graduação em Meio Ambiente pela Fundação Getúlio Vargas. Há oito anos é publisher de Plurale em revista e Plurale em site (www.plurale.com.br) e sócia proprietária da S.A. Comunicação prestando serviços para várias empresas na área de Comunicação e Sustentabilidade.

Fonte – Envolverde de 03 de novembro de 2015

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