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A indesejada sacola plástica

Entrevista concedida pela FUNVERDE para a revista HM! de setembro/outubro/novembro de 2011 sobre as malditas sacolas plásticas de uso único.

Leia a matéria e no fim faremos alguns comentários. Clique nas imagens para ver em tamanho maior.

Aqui estamos nós, novamente, após mais de meia década de luta para banir as malditas sacolas plásticas de uso único, falando sobre o que? As malditas sacolas plásticas de uso único. Esperamos que esta guerra acabe antes de completar uma década.

Agradecemos imensamente à Ana Carolina Okubo por nos escolher para falar sobre o assunto, porque mesmo contra nossa vontade, somos os maiores conhecedores do assunto no país, porque fomos obrigados a aprender tudo sobre sacolas desde 2004, para combater a máfia dos plásticos e finalmente conseguir atingir nosso objetivo, que é banir a sacola plástica de uso único do planeta.

Os seguidores do plástico comentam que o plástico consome menos matéria prima e emite menor quantidade de CO2 na atmosfera durante sua produção. Análise perfeita, só que nada imparcial, aliás, parcialíssima, tendenciosa, defendendo os interesses da máfia do plástico.

Realmente, se fomos analisar a somente o fator fabricação e compararmos uma sacola plástica de uso único e uma sacola retornável de algodão, a sacola plástica de uso único ganha disparado, mas, sempre tem um mas … Leia os próximos parágrafos.

Para se fabricar uma sacola retornável de algodão temos que usar terra fértil para o plantio do algodão, água potável para irrigação, adubo químico, e muitos, mas muitos tipos de veneno para controlar as pragas, tudo isso mais petróleo para abastecer as maquinas que irão irrigar, adubar e envenenar a plantação. Depois mais petróleo para abastecer a colheitadeira e o caminhão que irão levar este algodão para a fábrica, que depois irá usar máquinas abastecidas com petróleo ou eletricidade para separar a fibra do caroço, lavar a fibra, transformar em linha e posteriormente em tecido e por fim distribuir este tecido para todo o país para lojas usando caminhões para o transporte – mais petróleo -, que depois irão vender para fábricas que confeccionarão as sacolas retornáveis em algodão usando eletricidade. Parece desanimador e com uma pegada ecológica fabulosa, não? Calma, não se desespere, o cenário irá mudar, continue lendo.

Para se fabricar uma sacola plástica de uso único é só furar o planeta no mar ou em terra firme, usando petróleo para abastecer as maquinas que perfuram e retiram o óleo negro de dentro do planeta. Se for por mar, mais petróleo para os navios, se for por terra, petróleo para os caminhões que levarão o petróleo para as refinarias – isso quando não tem canos levando o petróleo direto para as refinarias. Mas tudo bem, certo? Afinal petróleo para perfurar, transportar, é tudo petróleo mesmo. Chega na refinaria e mais petróleo ou eletricidade é usado para refinar este petróleo e neste refinamento sobra um percentual de nafta, de 3 a 7%, que é a matéria prima do plástico. Daí esta nafta é transportada por caminhões para as fábricas que usarão eletricidade para em 1 segundo produzir uma sacola plástica de uso único. Aí você dirá: que embalagem perfeita, usa menos recursos naturais, é minha escolha para transportar compras, sem dúvida! Calminha aí segure seu entusiasmo, continue lendo.

Não confie nas aparências, vamos mostrar que apesar da máfia do plástico usar esta abordagem para dizer que o plástico é fantástico, que a sacola plástica de uso único é o bicho da goiaba, a última bolacha do pacote, tudo é encenação para confundir a cabeça do consumidor, para que ele continue viciado em sacolas.

Ao usar apenas uma sacola retornável você deixa de utilizar no mínimo 15 sacolas uso único ao fazer suas compras, pois uma sacola retornável de tamanho convencional – 50 cm de largura x 40 cm de altura x 20 cm de fundo – acondiciona o mesmo que seriam necessárias 15 sacolas plásticas de uso único para acondicionar a mesma quantidade de produtos. Segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados, uma sacola plástica de uso único acondiciona em média cinco produtos. Só isso, sério? Explicamos. Quando você compra produtos pesados como arroz, refrigerantes, bebidas, qualquer coisa pesada, tem que utilizar duas ou até três sacolas plásticas, o que derruba a média de produtos por sacola. A sacola retornável no entanto, não enfrenta problema com peso, pois uma de algodão suporta mais de 30 quilos.

A sacola retornável pode e deve ser utilizada por muitos e muitos anos, enquanto uma sacola plástica de uso único é usada só uma vez e depois descartada, muitas vezes indevidamente. Você se Lembra do lixão no meio do pacífico onde se concentra uma grande quantidade de plásticos? Lembra-se das sacolas voando à mínima brisa?

Conforme a máfia do plástico diz, as sacolas retornáveis contaminam os produtos contidos dentro delas, sacolas retornáveis causam doenças, sacolas retornáveis matam. Esqueçam este argumento furado, tendencioso, que novamente, quer fazer você continuar escravo das sacolas plásticas de uso único. Quando você está sujo, você não toma banho e fica cheirosinho novamente? Quando sua roupa está suja, você não lava sua roupa querida? Então nos responda, porque alguém não lavaria sua própria sacola retornável, que é usada diariamente como uma roupa? Usou? Sujou? Lavou! Simples, sustentável, limpo, responsável.

Não estamos aqui falando de sacolas de papel de uso único, que são ridículas, um crime contra a humanidade, pois usa terra fértil e água potável e tudo o mais que se usa para plantar algodão, agora para se plantar milhares de árvores, cortar estas árvores, usar uma série de produtos químicos agressivos para transformar estas árvores em papel e finalmente em sacola de papel e no fim do ciclo a sacola só é usada por meia hora e jogada fora. Num país em que a reciclagem não alcança 1%, e a possibilidade desta sacola ser reciclada é muito pequena. E lá se foi solo fértil e água potável para o lixo.

Também não estamos falando de sacolas plásticas de uso único do pseudo plástico verde da Braskem que usa terra fértil e água potável, mais veneno, adubo químico etc. para plantar cana e fazer uma sacola que demorará os mesmos 500 anos para se decompor, o mesmo que uma sacola plástica de uso único de petróleo. Tem notado que o açúcar tem subido de preço? E o preço do álcool para abastecer seu carro, notou algum aumento abusivo? Então, agradeça ao plástico pseudo verde, o engodo do momento. Cadê a terra fértil e a água potável daqui, perguntarão nossos descendentes. O plástico verde comeu, responderemos envergonhados, se não impedirmos a fabricação de mais este sumidouro de recursos naturais.

Também não estamos falando de sacolas plásticas de uso único de comida, a sacola de amido da Basf, que usa terra fértil e água potável, mais adubo, veneno, para plantar alimentos que contenham amido, a exemplo do milho, batata, arroz, mandioca, trigo … todo alimento que contenha amido é um potencial produtor de plástico de comida. Tem amido, vai ser roubado do prato de uma humanidade cada vez mais numerosa e faminta para fabricar plástico que será usado por meia hora e depois descartado. Crime contra a humanidade. Roubo de terra e água das próximas gerações. Com mais um agravante, se não for descartada em composteira – dá para contar nos dedos de uma mão as cidades que possuem composteiras no país – não irá se biodegradar em 180 dias, gerará metano, não pode ser reciclada junto com o plástico convencional, se bem que nenhuma sacola plástica é reciclada, mas esse plástico de comida é outra imbecilidade inventada, uma imbecilidade que pode custar o alimento dos humanos do futuro.

Daí vem os adoradores d plásticos plástico dizer que apenas 0,2% do conteúdo de aterros sanitários são compostos por sacolas plásticas, ou melhor, por plásticos e como sabemos que 20% de todo o lixo gerado diariamente é composto por plásticos e 50% de todo o plástico é composto de sacolas plásticas, então, 10% de todo o lixo gerado diariamente é composto por sacolas plásticas, o quer dizer que, hmmm … será que eles querem dizer que todo o resto é descartado incorretamente, que está voando pelo planeta à primeira ventania, será que eles querem dizer que o resto sacolas, 9,9% de todas as sacolas plásticas de uso único está no lixão do pacífico? É uma interpretação válida, você não acha?

Mas não, cremos que eles querem mentir para você, cidadão, dizer que praticamente não existe produção de sacola plástica no país, que nós que defendemos o banimento das sacolas plásticas de uso único não sabemos do que estamos falando, que estamos fazendo uma tempestade em um copo de água. Só se for copo plástico descartável que, a exemplo da sacola plástica de uso único, também não é reciclado. Eles querem fechar seus olhos para que você não perceba o tamanho da poluição que eles causam, fabricando bilhões e bilhões de sacolas plásticas todo o ano, só no Brasil, tendo lucro, mas não se responsabilizando pela destinação pós-consumo, não realizando logística reversa, enfim, eles fabricam e depois dizem, tome, que o filho é seu, ou melhor, a sacola é sua, se vire.

E esta, não é para rir? Dizem que o plástico nos lixões impedem o chorume, Ô loco, exageraram na defesa do indefensável. Quando você acondiciona matéria orgânica, que é o lixo de cozinha, cascas e restos de alimentos dentro de uma sacola, ela impede que esta matéria orgânica se biodegrade na presença do oxigênio, gerando chorume e metano, gás com poder de aquecer o planeta 23 vezes mais que o CO2, que é gerado na biodegradação fora da sacola plástica de uso único. Quando matéria orgânica é biodegradada fora do plástico ela encontra oxigênio e se biodegrada sem chorume, gerando adubo orgânico e não gerando metano. Outro problema com sacolas e aterros ou lixões é que eles impermeabilizam estes locais, provocando desmoronamentos destes locais.

Sacola plástica não é saco de lixo e nem deve ser usada para tal. Com o fim das sacolas plásticas de uso único haverá o aumento da reciclagem, pois quem separa lixo para reciclagem economiza 75% em sacos de lixo. Explicamos, quando você separa o material para reciclagem, este material representa em volume 75% de todo o lixo e deve ser acondicionado em sacos retornáveis. Pode ser um saco de ráfia, um saco de lixo bem grande, caixas de papelão. O importante é que você entrega o lixo para a reciclagem e a embalagem fica em sua casa para poder ser reutilizada na semana seguinte.

Quanto aos 25% do lixo que é orgânico e rejeito, você pode usar aqueles saquinho transparentes que você coloca cebola tomate, chamados de FLV – Legumes Frutas e Verduras – e depois não sabe o que fazer com ele. Use para acondicionar lixo orgânico e se tiver um quintal, faça você mesmo a compostagem, pois pouquíssimas cidades contam com composteiras no país.

É adorável como eles afirmam, na cara dura, sem nem ficar com as bochechas rubras, que o dever de reciclar e educar a população é exclusivo do governo. Não é com eles, o negócio deles é fabricar, lucrar, só isso. Senhores, não finjam que desconhecem as leis 11.445 e 12.305 e tantas outras mais que afirmam que vocês tem SIM responsabilidade solidária, vocês são SIM responsáveis por destinar o que fabricam.

Mais blábláblá dos adoradores do plástico:

100% das sacolas plásticas de uso único são usadas como saco de lixo. Já dissemos que não se deve usar sacolas plásticas de uso único para acondicionar lixo e explicamos o porque.

71% dos consumidores preferem sacolas plásticas para transportar compras. Claro que sim, são pessoas acomodadas, viciadas em plástico, egoístas, que preferem comprometer o futuro dos seus próprios descendentes a assumir a responsabilidade de usar sacolas retornáveis.

75% dos consumidores são a favor da distribuição das sacolas plásticas de uso único no varejo. Claro que os consumistas de plantão estão se referindo à distribuição gratuita. Ou melhor, que eles acham ser gratuita. Será que são tão tapados que não percebem que o custo da sacola está embutido em qualquer produto que adquirem? Que se for banida a sacola plástica de uso único toda e qualquer mercadoria ficará menos cara?

E sobre esses dados acima, não esqueça que são dados da máfia do plástico, portanto, maquiados para servir aos seus propósitos.

Lembra do começo da matéria, em que o ministério do meio ambiente fez uma pesquisa? Nesta pesquisa você pode acreditar, porque é isenta de interesses econômicos e esta pesquisa diz que 75% da população defende o fim das sacolas plásticas de uso único.

Quem quer o banimento das sacolas plásticas de uso único já é maioria. Para a minoria, o peso da lei, a cobrança pelas sacolas, multas pesadas, porque se esperarmos as pessoas acomodadas, preocupadas com o próprio umbigo mudarem, vamos esperar sentados, sendo destruídos por bilhões de sacolas plásticas anualmente, por causa dos acomodados, egoístas que representam 99% da humanidade.

E o programa da indústria do plástico para enrolar a população e posarem de heróis. Faz-nos rir. O programa se resume simplesmente em fingir que querem diminuir 30% das embalagens para ajudar o planeta. Mas como? Como? Aumentando em 30% a quantidade de plástico por sacola. E o pior, a população alienada, que perdeu o poder de raciocinar por causa do vício em novela acredita em tudo. Qualquer besteira que se fale, ninguém pensa, ninguém quer pensar. Ah, e somente duas redes de supermercado no país aderiram a este programa, isto dito por um representante da máfia da indústria do plástico este ano.

Eles vem com números absurdos, que no início do ano foram desmascarados pela associação paulista de supermercados em que seu presidente diz que só a cidade de São Paulo usa 30 bilhões dela por ano. E eles vem dizer com números baixinhos, fantasiosos, esperando nos enganar. Não se engane, a máfia do plástico está soterrando a humanidade com suas sacolas malditas.

Daí vem eles vem dizer que são contra leis, leis estas em sua esmagadora maioria ou criadas pela FUNVERDE ou copiadas da lei original de 2005 da FUNVERDE. Dizem que leis são rápidas, mas não educam. Que lorota, que besteira. É só ver a lei do cinto de segurança. Ninguém usava antes da lei e agora todos usam. Vamos dar o exemplo da Europa. Pedestres esperam o sinal abrir e não atravessam mesmo que não tenha carro chegando, ninguém joga lixo na rua, todos separam lixo para reciclagem e mais um monte de exemplos. Será que é por educação? Não é não, é pela força da lei. A lei educa a primeira geração e as subsequentes são educadas pelas gerações anteriores. A consciência dos humanos reside no bolso. Lei e multa, isso muda o comportamento da população.

Se você teve paciência para ler até agora, já estamos finalizando, seja forte e aguente a leitura mais um pouco. Você sabia que desde a primeira sacola, aquela fabricada na década de 80 do Século XX, todas estão ainda poluindo o planeta e ainda ficarão por uns cinco séculos poluindo e matando animais? De milhões para bilhões em pouco tempo. Se não agirmos, logo serão trilhões por ano.

Nós somos responsáveis pela nossa casa, que é o planeta em que vivemos. Nós temos a obrigação de diminuirmos o consumo e limpar a sujeira que nossos antepassados e nós geramos. Nós temos o dever de deixar o planeta mais limpo para os próximos habitantes do planeta.

Os seres do amanhã ainda não estão aqui para defenderem seus direitos, seu território, seu planeta, mas nós estamos.

Utilize sempre os 5Rs, para diminuir geração de resíduos, que hoje já passa de 1 quilo / dia por pessoa no Brasil.

REPENSAR a nossa relação com o planeta e de como o nosso consumismo está afetando a viabilidade da continuação da raça humana e de todos os outros seres vivos, com o objetivo de nos tornarmos consumidores sustentáveis e diminuir a geração de lixo;

RECUSAR o que faz mal ao planeta e às pessoas, como no caso das sacolas plásticas e de tantas outras besteiras inventadas e também jamais adquirir produtos com embalagens que não possam ser recicladas ou com sobreembalagens;

REDUZIR nosso consumo somente para o necessário para que todos – inclusive os humanos que ainda não nasceram – tenham à sua disposição os recursos naturais, ar limpo, terra fértil e água potável para para viverem uma vida digna;

REUTILIZAR todas as  embalagens antes de separar para a reciclagem e finalmente,

RECICLAR, isto é, separar todo o material para a reciclagem e compostagem.

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