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Projeto Canto das Ervas, o dia seguinte

Dia 06 de abril de 2009, segunda-feira

Todos os domingos, desde o dia 5 de abril de 2009, das nove até onze horas ou meio dia estamos cuidando do nosso cantinho no Bosque II, o canto que escolhemos para inaugurar o projeto canto das ervas, que busca resgatar a tradição do uso de ervas aromáticas e medicinais com um reaprendizado do que se perdeu nas últimas gerações.

Note que desde o lançamento não escrevi mais nada, mas não porque o projeto tenha parado, o que aconteceu foi que eu fiquei tão chocada com os fatos ocorridos desde o fatídico dia 05 de abril, que criei um bloqueio e somente agora, quase um mês e meio depois resolvi transpor este bloqueio e voltar a falar deste projeto maravilhoso – e sem modéstia, maravilhoso como todos os outros projetos desta fundação de meio ambiente.

Tudo começou no domingo, dia do lançamento do projeto, em que plantamos 300 mudas de 20 espécies de ervas aromáticas e medicinais.

O povo passava e via as mudas espalhadas perto dos buracos e já vinha pedindo, “dá uma muda, só uma” e quando explicávamos que era parte de um projeto tinha gente que ficava brava, dizendo que só uma muda não fazia diferença. Porque estas pessoas não vão em um viveiro e compram as mudas? Coisa de brasileiro pidão.

Outras pessoas pediam mudas para um e quando negávamos, pedia para outro e outro e assim sucessivamente, uma pobreza de espírito de dar dó.

Teve gente que ao ver o Toruo, um japonês, plantando, perguntava se era para vender na feira. Imagine a cara de ódio que ele fazia.

Para outros estagiários diziam que estávamos usando terreno público para fazer concorrência com os feirantes e causar prejuizo para eles.

Incrível, cada comentário mais idiota do que outro, vontade de mandar todo mundo procurar sua turma – nota do censor, o comentário era melhor.

Quanto aos pidões, nas semanas seguintes arranjamos uma resposta padrão, quer muda? Nós vendemos. R$ 10,00 cada uma. Claro que daí vinha a resposta “nooossa, que caro” “mas eu quero dado, não quero comprar” e assim por diante. Teve uma que foi ótima, uma senhora quebrou a muda e disse na maior cara lavada “olha, tinha um galhinho caído do lado da muda e eu peguei, tá!”. Uia, não me engana que eu não gosto.

Oras, se todo mundo sabe onde tem uma muda para comprar, até nos supermercados, na feira livre, em floriculturas, para que ficar pedindo, sabendo que estas mudas tiveram um custo, a FUNVERDE adquiriu para o projeto e não para fazer doação, caramba.

E olhe que escolhemos o bosque II, atrás do country clube porque ali fazem caminhada as pessoas mais esclarecidas da cidade e de maior pode aquisitivo. Pensamos que estas pessoas jamais iriam se rebaixar e roubar nossas plantas. Não poderíamos estar mais enganados, durante abril e maio, o índice de roubo foi de aproximadamente 10% a cada semana. Para sabermos quantas estavam sumindo, fizemos canteiros de 10 e 15 mudas em cada local, assim, se alguma sumisse, saberíamos.

A cebolinha francesa – 15 mudas – foram embora na segunda semana e como é uma cebolinha que quase ninguém conhece, certamente foi algum gourmet amante da comida francesa e muito pobre de espírito que roubou.

O Toruo, que trouxe as mudas de cebolinha japonesa – nirá – arrancou todas do local e colocou em um local mais escondido, para nenhum adorador de comida oriental roubar também, banzai.

Arruda, pelamordegaia, plantamos inicialmente 15 e não sobrou nenhuma folhinha, não adianta plantar, porque quanto mais plantamos, mais roubam. É só voltar no dia seguinte que sumiram todas. Você sabe para que né? Para fazer algum benzimento. Alguém até sugeriu plantarmos alguma erva com a qual se fizesse chá de sitocol, sacou? Para ver se o ladrão de arruda se toca de que o que ele está fazendo é crime, hahaha.

Desde o dia 5 de abril, todas as semanas estamos plantando de 50 a 100 mudas para aumentar o canteiro e repor as roubadas. Somente na primeira semana de junho, semana passada o roubo diminuiu. Deve ser porque os ladrões já estão com o canteiro cheio, não cabe mais nada.

Vergonha de ser maringaense, povo estúpido, pobre de espírito, não adianta fazer nada por eles que eles só retribuem com ingratidão, foi isso que nós, membros, voluntários e estagiários da FUNVERDE pensamos logo após se iniciarem os roubos, mas não desanimamos, porque um dia essa gentalha tem que aprender que é bom morar em uma cidade limpa, que é bom ao ter uma dor de estômago, ter uma losna para pegar uma folhinha e fazer chá, que naquela noite de insônia, dá para pegar um pouco de camomila para fazer um chá lá no canto das ervas.

Mas porvalhala, esperem as ervas formarem touceiras, não me arranquem a muda recém plantada, isso é muita mesquinharia, muita pobreza, coisa de gente porca, que não sabe ser civilizada. Se as pessoas esperarem até a primavera, vai ter muda para todo mundo pegar uma folhinha, as touceiras estarão formadas e tirar uma muda da planta mãe não fará diferença, mas agora, arrancar a muda que nem se formou é o fim da picada.

Na segunda-feira, dia 06 de abril, depois do primeiro plantio, fomos ver nossas amadas plantas, como pais orgulhosos. Afinal, lançar um projeto é maravilhoso, já imaginando que quando as plantas crescerem, como ficará lindo o local, com seus aromas tão diferenciados das ervas aromáticas. Foi daí que já tomamos o susto inicial, porque, onde tínhamos posto placa com nome das plantas, foram arrancadas muitas ervas, teve lugar em que levaram até a placa. Decerto para por ao lado da planta roubada lá na sua horta.

Só podia acontecer em Maringa mesmo, ô gentinha pequena. Não conseguimos digerir isto até agora, parece que o que não está cercado com arame farpado, circuito de vigilância, cão de guarda, guarda armado e cerca elétrica pertence a todos, todos se acham no direito de simplesmente pegar, roubar, levar.

Já ouviram falar de propriedade alheia? Essas devem ser as mesmas pessoas que ficam arrancando flores da calçada dos vizinhos, dos parques da cidade, do canteiro central, gente jeca.

Vou tentar postar uma vez por dia o projeto canto das ervas, até chegar a data atual.

Desculpe o desabafo, mas tenha dó, que gente imbecil, que gente mais sem noção habita esta cidade.

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