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Projeto iniciado em Hong Kong propõe registrar o consumo de plástico das empresas

Ideia segue a mesma linha de raciocínio usada nas avaliações de “pegada do carbono”

Um empreendedor ambientalista de Hong Kong chamado Doug Woodring resolveu expandir uma boa ideia. Inspirado pelo projeto que estimula as empresas a registrarem o carbono que emitem para que cada um saiba da responsabilidade que detém no aquecimento global, o ativista lidera a criação do projeto Plastic Disclosure Project (Projeto de Divulgação do Plástico).

Programado para ser lançado oficialmente em setembro, o projeto propõe, igualmente ao que hoje fazem com o carbono, a criação de uma “pegada do plástico”. Estamos tentando incentivar as empresas para que gerenciem e usem os plásticos de maneira mais consciente e sejam reconhecidas por esse trabalho, tanto pelos consumidores como pelos investidores,” explicou Woodring.

No começo de outubro, centenas de empresas e instituições de todo o mundo receberão um questionário pedindo que avaliem e informem o consumo de plásticos: quanto usam? Qual processo de reciclagem utilizam e para qual finalidade? Quais políticas implementam na empresa para a redução do consumo do plástico ou para aumentar o volume do uso de plástico reciclado ou  biodegradável? São perguntas simples, mas que podem ajudar a chamar a atenção de empresas, de investidores e do público ao tema do descarte plástico de uma maneira que cause um grande impacto na sociedade.

“A poluição com plásticos é um fenômeno global de imensas proporções que vem crescendo há décadas. Para lidar com esse problema é preciso uma solução ampla e global que inclua uma reconsideração sistemática da utilização e produção”, declara o ativista.

Ainda segundo Woodring, o projeto é uma tentativa de fazer mais do que simplesmente recolher lixo na praia. O objetivo é mudar a consciência e o comportamento dos grandes utilizadores de plástico: universidades, hospitais e, principalmente, as grandes empresas.

A iniciativa toma como base o Carbon Disclosure Project (em uma tradução livre, Projeto de Divulgação do Carbono) que vem questionando, monitorando e melhorando a emissão de carbono de várias empresas por mais de uma década. Atualmente, em torno de três mil organizações de 60 países medem e divulgam as emissões de gases de efeito estufa, além de dividir suas estratégias de  mudanças climáticas utilizando os serviços do Projeto de Divulgação do Carbono. No ano passado, o projeto também começou a perguntar às empresas sobre o uso de água, com o mesmo objetivo de alcançar índices melhores na conservação do recurso.

“O aumento da transparência de empresas pode ajudar investidores ecologicamente conscientes a avaliarem melhor os riscos e as oportunidades de empresas na cadeia global do valor do plástico,” disse Jeremy Higgs, diretor da Environmental Investment Services Asia, uma empresa de gestão de investimentos baseada em Hong Kong que, no mês passado, tornou-se o primeiro investidor da  iniciativa doando 50 mil dólares.

Em torno de 300 milhões de toneladas de plástico são produzidas anualmente no mundo. No entanto apenas 10% são recicladas. Do plástico que é descartado, estima-se que sete milhões de toneladas por ano se acumulam nos mares, onde ele se fragmenta aos poucos e quanto menor o pedaço mais fácil fica de ser engolido por animais marinhos.

“É irônico pensar que as mesmas qualidades que fazem o plástico um material tão popular o tornam um problema”, disse Erik Floyd, tesoureiro da Associação para Investimentos Sustentáveis e Responsáveis da Ásia e co-fundador do projeto plástico.

Em outras palavras, como o plástico é barato, leve e durável, praticamente todas as indústrias o idolatram. Mas porque é leve e barato, a quantidade produzida é imensa e como é muito durável, ele não “vai embora”. O plástico acumulado em meio século ainda está na terra.

Grande parte da solução é então prevenir que o plástico chegue no meio ambiente e é isso em essência que o projeto está tentando fazer.

Ao fazer com que empresas avaliem a própria pegada plástica e peça, o projeto espera que o nível de consciência sobre o problema aumente e que as empresas vislumbrem um potencial de economia, incentivando de alguma maneira a mudança dos padrões de consumo.

Fonte – New York Times / O Tao do Consumo de 15 de agosto de 2011

Imagem – LYNETTELYNN_D

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