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Piracicaba, SP – Sacola plástica de uso único, a inimiga do planeta

Debate público na câmara municipal de Piracicaba, SP, apresentou tecnologias e alternativas ao uso das sacolas plásticas

Alternativas para o descarte e uso das embalagens e das sacolas plásticas foram apresentadas por representantes do poder público, empresas e entidades ontem, no debate público Ciclo de Vida de Embalagens Plásticas: Descarte Final, realizado no salão nobre da Câmara de Vereadores.

A iniciativa do vereador Capitão Gomes procurou mostrar que existe pesquisa, tecnologia e ideias para reduzir o uso desse material que polui o meio ambiente. O vereador é autor do projeto que se tornou a lei 233/08, que obriga os estabelecimentos comerciais da cidade a oferecer sacolas biodegradáveis, oxibiodegradáveis ou retornáveis aos seus clientes a partir de outubro deste ano. A lei está suspensa por uma liminar concedida ao Sindicato da Indústria de Materiais Plásticos do Estado de São Paulo.

O evento reuniu poucas pessoas, mas contou com representantes de diversas municípios, como Mogi Mirim, Maringá, Bauru, entre outras. “Mais de 300 cidades já nos procuraram por estarem interessadas na nossa lei”, afirmou o vereador.

O secretário de Defesa do Meio Ambiente, Rogério Vidal, destacou a importância do evento que mostrou os exemplos de duas cidades que baniram as sacolas plásticas. Em Descalvado (São Paulo), um Termo de Ajuste de Conduta da Promotoria do Meio Ambiente, aliada à conscientização da população, conseguiu êxito a partir de janeiro. Em Xanxerê, Santa Catarina, a iniciativa partiu dos supermercadistas, que envolveram o poder público e a comunidade. “Na ocasião da aprovação da lei em Piracicaba, atendemos as associações de supermercados e procuramos ampliar o prazo de vigência da lei, mas veio uma liminar do sindicato. Já estamos tomando medidas contra essa liminar”.

Debate

Os participantes do evento ressaltaram que as sacolas plásticas – utilizadas para descarte do lixo doméstico – geram um problema de deterioração ambiental. Fotos de rios repletos desses resíduos, pássaros e tartarugas marinhas enroscados nelas, animais e pessoas em meio ao lixo plástico e outras imagens foram mostradas no evento.

Eduardo Van Roost, da empresa Res Brasil, apresentou uma tecnologia que contribui para a deterioração mais rápida do plástico. A empresa importa um aditivo inglês, chamado d2w, que adicionado na fabricação do plástico promove a sua fragmentação em 18 meses. Segundo ele, isso proporciona um controle do ciclo de vida dessas sacolas.

Por meio de um vídeo, o professor Telmo Ojeda apresentou a palestra Plásticos Biodegradáveis Esclarecimentos das principais dúvidas. Ele falou dos testes realizados com a poluição gerada pelo plástico biodegradável.

O engenheiro Fernando Figueiredo, da EcoSigma, comentou sobre os Aspectos da Compostagem e Potencial de Ecotoxicidade de Compostos Obtidos com Resíduos de Plásticos Oxibiodegradáveis. Segundo ele, para se decompor esse material precisa ficar exposto à luz, precisa de oxigênio.

Márcia Ranzani e Márcio Gava, da Bioagri, falaram sobre “Biodegradação conceitos e métodos”. O promotor de Justiça da cidade de Descalvado, Alexandre Andrade Pereira, informou que os 33 supermercados da cidade aderiram à medida que proibiu o uso de sacolas plásticas na cidade a partir do dia 1º de janeiro de 2010 e a população se conscientizou. “O transtorno de não levar as compras em sacolas plásticas é mínimo, comparado ao benefício que se pretende alcançar.

“O Meio Ambiente não é nosso. Tomamos emprestado das gerações futuras e temos que garantir que elas tenham o mesmo direito que temos hoje, de utilizar os recursos do planeta”, afirmou.

Ações evitam o uso do plástico

O presidente da ONG FUNVERDE, Claudio José Jorge e a fundadora da entidade, Ana Domingues, apresentaram dados sobre o impacto no país e no mundo das sacolas plásticas no meio ambiente. Eles mostraram o projeto de incentivo ao uso de sacolas retornáveis ou biodegradáveis. “As oxibiodegradáveis ou embalagens que usam o d2w são alternativas enquanto não se elimina de vez o uso dessas sacolas plásticas”, afirmou Ana.

Ela criticou o fato de países na Europa terem autorizado o plantio de batata transgênica para ser utilizada para a produção do plástico, que se degrada em 18 meses. “O problema é que há seres humanos passando fome e ao invés do plantio ter como finalidade a alimentação, será para produzir embalagem”.

O presidente da entidade também alertou para o fato das outras embalagens que são usadas no dia-a-dia, como a embalagem de isopor, o plástico strech que embala alimentos e os sacos plásticos das verduras, legumes e frutas. “Para preparar uma salada, se a pessoa utilizar três verduras diferentes, dois legumes, cebola, salsa, no final do preparo terá descartado umas dez embalagens plásticas”.

O comerciante Edson Marció, da cidade de Xanxerê, em Santa Catarina, apresentou os resultados de um ano que a cidade – de 45 mil habitantes – não utiliza as sacolas plásticas para embalar suas compras. “Tudo começou quando recebi um e-mail mostrando a degradação que as sacolas plásticas estão provocando no planeta, às vésperas de uma reunião entre os principais supermercados da cidade para discutirmos horário de funcionamento no final do ano”.

Segundo ele, os participantes desse encontro entenderam que eram corresponsáveis por essa poluição e mobilizaram a sociedade e o poder público.

Lixo Plástico – Impacto no Meio Ambiente

1 segundo é o tempo de produção de uma sacola plástica
30 minutos é o período médio de uso dessa sacola
500 anos ela permanece poluindo o planeta
Cada brasileiro gera em média 1 quilo de lixo por dia
20% de todo o lixo gerado são sacolas plásticas
Somente 1% de todo o lixo no país é reciclado
Mais de 85% das cidades brasileiras depositam o lixo em lixões a céu aberto
É necessário coletar em média 800 sacolas para o reciclador conseguir um quilo
Fonte -ONG FUNVERDE

Fonte – Adriana Ferezim para Gazeta de Piracicaba de 20 de março de 2010

Foto – fonte desconhecida

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